Mandalas Tema Orixás: Não É Religião, É Transformação

Ei, que coisa boa é poder trocar ideia com você sobre um tema tão rico e cheio de significado! Hoje quero falar sobre as vivências com os orixás, um assunto que muitas pessoas ainda olham com medo ou desconfiança. Talvez porque a gente cresceu ouvindo que mexer com essas coisas é perigoso, que é “feitiçaria”, ou que tem algo a temer. Mas eu quero convidar você a refletir comigo e abrir um pouco a mente para um olhar diferente, mais leve e transformador.

Desmistificando o Medo em Torno dos Orixás

Muita gente evita se aproximar dos orixás porque foi criada com a ideia de que isso é algo assustador, que exige obrigações rígidas e que, se não cumpridas, trazem consequências ruins, como enlouquecer ou sofrer punições. Eu mesma já escutei histórias assim e entendo o medo que isso gera. Mas será que tem que ser assim?

Falo isso porque, na verdade, a relação com os orixás não precisa ser uma prisão de medo ou culpa. Conheço pessoas, como uma yalorixá muito sensata e à frente do seu tempo, que tratam os orixás com respeito e leveza, sem pressões ou ameaças. É uma conexão que traz autoconhecimento e transformação, não pavor.

"A gente que resolve os nossos ‘bos’, não é o santo. Não joga pro santo resolver, porque a culpa não é do santo se você não fez a sua parte."

Essa frase, dita por uma aluna em uma vivência, é poderosa e nos faz pensar: quantas vezes depositamos nossa fé em algo externo, esperando que resolva tudo para nós, e esquecemos que somos protagonistas da nossa história?

A Religião, a Fé e o Medo: Como Eles Se Relacionam?

É fundamental entender a diferença entre religiosidade e fé. Religiosidade muitas vezes vem acompanhada de regras, obrigações, até mesmo medo — medo do castigo, do inferno, do que pode acontecer se não fizermos algo certo. Isso oprime, limita, cria uma sensação de estar sempre sob vigilância e ameaça.

Já a fé é algo muito mais íntimo e pessoal, uma energia interna que pode ou não se manifestar através de práticas religiosas. E é aqui que entra a transformação que as vivências com os orixás proporcionam: elas não são uma religião no sentido tradicional, mas sim um convite para entrar em contato profundo consigo mesmo, para conhecer suas próprias leis internas e, com isso, se libertar de crenças limitantes.

O Que São Essas “Leis” Que Decretamos Para Nós Mesmos?

Durante as vivências, especialmente com Xangô, o orixá da justiça, aprendemos que não são apenas as leis externas que nos influenciam, mas principalmente as que criamos dentro de nós. São esses decretos internos que moldam nossa realidade. Se você acredita que algo é ruim, perigoso ou negativo, você cria uma barreira emocional e energética que pode te fazer se sentir mal.

Por exemplo, a cor preta, que em muitas culturas e religiões é vista como negativa, pode ser apenas uma crença que você escolheu aceitar. Se você acha que usar preto traz má energia, vai atrair isso para si. Mas isso é uma criação sua, não uma verdade absoluta.

Vivências com Xangô: Um Caminho de Autoconhecimento e Justiça Interna

No meu trabalho com mandalas e orixás, especialmente nas vivências com Xangô, o foco é justamente esse: questionar as leis internas que nos aprisionam e entender como elas impactam nossa vida. É um processo que ajuda a identificar e desconstruir crenças que só trazem sofrimento e medo.

Esse olhar para dentro é libertador. Você passa a entender que a energia que você sente em relação a algo ou alguém é reflexo do que você carrega dentro de si, não algo que foi “jogado” em você por outra pessoa ou entidade.

Exemplo Real: O Medo Gerado Pelo Ambiente Externo

Deixa eu contar algo que aconteceu comigo e que ilustra bem esse medo coletivo. Moro numa rua sem saída e, recentemente, uma vizinha transformou a garagem da casa dela em um espaço de culto, uma igreja, onde as pessoas pregam em alto volume, inclusive nos fins de semana e quartas-feiras.

O barulho incomodou muita gente, mas o que me chamou atenção foi a diferença de tratamento que isso teria se fosse um terreiro de umbanda. A polícia provavelmente já teria sido acionada várias vezes, mas no caso da igreja, o medo de enfrentar a situação e a falta de ação dos moradores prevaleceram.

Isso mostra como o medo e o preconceito influenciam nossas atitudes, e como a religiosidade, quando baseada no medo, pode gerar opressão e injustiça.

Religiosidade Baseada no Medo: Um Ciclo de Opressão

O medo é uma ferramenta poderosa e, infelizmente, muitas religiões o usam para controlar e limitar as pessoas. O medo de castigos, de punições, de ir para o inferno, cria uma sensação de culpa constante e faz com que as pessoas vivam na defensiva, sem se permitir questionar ou buscar seu próprio caminho.

Isso não é saudável nem para o indivíduo, nem para a comunidade. A fé verdadeira, que nasce do autoconhecimento e do respeito, não precisa de medo para existir. Ela floresce no amor, na liberdade e na compreensão.

Como Isso Reflete no Nosso Dia a Dia?

  • Muitas pessoas têm medo até de usar a cor preta, associando-a automaticamente a algo negativo.
  • Outras evitam se envolver com práticas espirituais por medo do desconhecido ou do que as religiões tradicionais ensinaram.
  • Há quem acredite que energias negativas podem ser “passadas” para elas por outras pessoas ou objetos, como mandalas.

Mas a verdade é que tudo isso está ligado às crenças que carregamos dentro de nós. Se você acredita que algo vai te fazer mal, provavelmente vai se sentir mal. Mas isso não significa que o objeto ou a pessoa tenha poder real sobre você.

A Energia das Mandalas e a Fé Pessoal

Um ponto que sempre converso com minhas alunas é sobre a energia das mandalas. Muitas pessoas acham que as mandalas precisam estar carregadas com energias positivas para funcionarem. Mas isso não é bem assim.

Se você gosta da mandala, se ela te toca de alguma forma, isso já cria uma conexão especial. A energia que você sente vem da sua própria vibração interna, da sua fé e das suas emoções. Eu, por exemplo, posso fazer uma mandala com toda a minha atenção e carinho, mas se você não se conecta com ela, ela não vai ter o mesmo efeito.

Não Existe "Energia Negativa" Que Alguém Pode Jogar em Você

Outro mito comum é o de que alguém pode transferir uma carga negativa para você. Isso não é verdade. Ninguém tem esse poder. O que acontece é que certas situações ou pessoas despertam em nós emoções e memórias que já estavam guardadas dentro do nosso subconsciente.

Por isso, às vezes você sente um desconforto em um ambiente ou perto de alguém. Esse desconforto é seu, não deles. É a sua história, a sua bagagem emocional que está sendo ativada.

O Caminho da Libertação: Questionar, Conhecer e Transformar

O convite que eu faço para você, que está lendo este texto, é para olhar para dentro, para as suas crenças, para as suas leis internas. Até que ponto você está vivendo com medo? Até que ponto você está se prendendo a regras e obrigações que não fazem sentido para você?

Transformar a relação com os orixás e com a espiritualidade é um processo de autoconhecimento profundo. Não é sobre seguir cegamente uma doutrina, mas sim sobre encontrar o que ressoa com a sua alma, o que te faz crescer, o que te liberta.

Seja o Autor das Suas Próprias Leis

Assim como Xangô, o orixá da justiça, nos ensina, é importante que você tome as rédeas da sua vida e das suas crenças. Não deixe que o medo dite suas escolhas. Questione, investigue, experimente. Só assim você vai conseguir criar uma vida mais leve, mais verdadeira e mais alinhada com quem você realmente é.

Conclusão: A Vivência com os Orixás é Uma Jornada de Transformação

Mais do que uma prática religiosa, a vivência com os orixás é uma oportunidade de transformação pessoal. É um convite para olhar para dentro, para reconhecer as leis que você criou para si mesmo e decidir quais delas você quer manter e quais precisa mudar.

O medo que muitas vezes acompanha a religiosidade não precisa ser parte dessa jornada. Ao contrário, a fé verdadeira liberta, acolhe e fortalece.

Portanto, se você sente curiosidade ou até um certo receio, saiba que está tudo bem. O importante é respeitar o seu tempo e o seu processo. E lembre-se: você é o protagonista da sua história, o autor das suas leis internas e o criador da sua realidade.

Vamos juntos nessa caminhada de autoconhecimento e transformação, sem medo, com coragem e muito amor!

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